30 Maio 2012

Lone rider



Tudo converge num ponto
em que espero a transformação,
ver além das paredes…
Tudo se vai resumir num conto
gélido e pálido de emoção,
liberto de tantas redes…
 
A paixão chora no peito,
o enredo espera desenlace,
querer estar longe e estar perto…
Na espiral da vida sujeito,
sem nunca mudar de face,
a manter o coração aberto…

25 Maio 2012

Teoria operacional dos afectos


O nosso comportamento em termos de afectos permite que nos dividamos em quatro categorias, que estão relacionadas com as operações algébricas. Obviamente, este texto pretende, tão somente, que pensemos nos nossos comportamentos. Assim, temos:

1 – Os subtractores caracterizam-se por substituirem afectos: se o afecto aumenta por alguém, então diminui por outro. Procuram também subtrair o afecto dos outros, criando situações de chantagem emocional: “ou gostas de mim ou do outro”; “tens de gostar mais de mim do que dele”. Exigem exclusividade afectiva. Será que aqui se encontra o amor sexuado, na maior parte dos casos?

2 – Os divisores caracterizam-se por dividir os afectos. Utilizam uma lógica de total a dividir pelas partes. Mantêm-se presos a grupos pequenos de amigos, familiares e amante, esperando que estes também dividam o seu afecto consigo. Os seus afectos podem ser fiéis, mas não têm a intensidade dos subtractores. Será que aqui se encontram as pessoas que mais se isolam?

3 – Os aditivos procuram somar afectos. Têm tendência a partilhar os afectos dum ponto de vista incremental: quantos mais melhor. Querem afeição mas também retribuem do mesmo modo. São muitas vezes egoístas, tendo uma relação passiva quanto aos afectos entre os outros, não se preocupando com aquilo que não lhe diga directamente respeito. Será que aqui temos os predadores?

4 – Os multiplicadores patrocinam a dispersão dos afectos por um número crescente de pessoas, criando cada vez mais ligações entre estas. Têm uma postura activa de crescimento do património afectivo do grupo. São capazes de amar, de fazer amar e de serem felizes com a felicidade dos outros. Podem chegar ao sacrifício individual, caso seja o melhor para quem amam intensamente. Será que aqui estão os verdadeiros amantes?


24 de Fevereiro de 2004 – Dia de Carnaval
(é favor criticar à vontade… Isto dava para construir um daqueles inquéritos psicológicos, como aparecem nas revistas, mas como nada há aqui de científico, fico-me pela provocação.)

04 Maio 2012

Quo Vadis?



Há, com certeza, novos passos para dar.
Mais uma etapa.
Um corredor de fundo.
E, ao fundo do corredor,
haverá portas,
nas quais olharei profundamente,
tentando perceber qual trespassar.
Será que mudei de nível?
Há sinais no deserto
e, em muitos lados,
um deserto de sinais.
Páro, olho, escuto e avanço…

Levo um carregamento de sentimentos
que ninguém quer, mas todos carregam.
Quero unir, mudar, fazer diferente…
Meto o ombro ao planeta,
mas ele não se mexe,
continuando a girar
até explodir de lamentos.

Tanta beleza que me dança nos olhos,
deixando um sorriso nos traços do rosto,
e uma voz contida, sem expressão.
Estamos no pódio,
como se fora um fuzilamento,
e esperamos passar os escolhos…

Já fui guerreiro, capitão do mato,
ouço as correntes arrastadas
e choro, e sei porquê…